quarta-feira, 15 de abril de 2009

JOÃOZINHO DA GOMÉIA - Biografia e Imagens

João Alves de Torres Filho ou Joãozinho da Goméia
- babalorixá do Candomblé Bantu de nação Angola, nasceu em 27 de Março de 1914, na cidade de Inhambupe, a 153 quilômetros de Salvador, Bahia e morreu em 19 de Março de 1971 em São Paulo, durante uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral.

Existem muitas histórias sobre Joãozinho da Goméia, uma das versões existentes sobre sua iniciação religiosa foi narrada pelo escritor Rodrigo Rodrigues Fernandes: "De família católica, chegou a ser coroinha, mas por motivo de saúde, ainda menino João Alves Torres Filho foi para o mundo do candomblé. Em 1924 aos 10 anos, o garoto já havia dado mostras de sua personalidade forte. Contra a vontade dos pais, deixou a casa da família para tentar a sorte na capital Salvador. Teve que se virar para sobreviver e foi trabalhar num armazém de secos e molhados, onde conheceu e foi apadrinhado por uma senhora que morava na Liberdade, e que ele considerava sua madrinha. Foi essa senhora quem teve a idéia de levá-lo ao terreiro de Severiano Manoel de Abreu, conhecido como Jubiabá (nome do seu caboclo). Joãozinho sofria de fortes dores de cabeça, que não eram explicadas, nem curadas pelos médicos. Também tinha sonhos com "um homem cheio de penas", que não o deixava dormir.

Para os adeptos do Camdomblé, é facil interpretar esse "homem de penas" como
Pedra Preta, seu caboclo. Bastou que ele fosse feito, no dia 21 de dezembro de 1931, para que as dores fossem embora. Elas seriam somente um aviso dos Minkisi, que cobravam a iniciação do menino.

Polêmicas

Sempre existiu polêmica, em se tratando de Joãozinho da Goméia, para alguns estudiosos, o Jubiabá que o “iniciou” não é o mesmo da obra de
Jorge Amado; para outros, João sequer foi “feito’ (iniciado). Porém, há filhos de Joãozinho que contam detalhes de sua feitura, como a Ialorixá Maria José dos Santos, de 92 anos, que declarou ao Correio da Bahia:

Eu duvido que, se ele fosse vivo, alguém tivesse coragem de questionar isso na frente dele.

Em direção totalmente oposta vai a
pesquisadora norte-americana Ruth Landes em seu livro A Cidade das Mulheres:
"Há um simpático e jovem pai Congo, chamado João, que quase nada sabe e que ninguém leva a sério, nem mesmo as suas filhas-de-santo (...); mas é um excelente
dançarino e tem certo encanto. Todos sabem que é homossexual, pois espicha os cabelos compridos e duros e isso é blasfemo. – Qual! Como se pode deixar que um ferro quente toque a cabeça onde habita um santo! "

Outra polêmica levantada por Landes é que João “recebia” um caboclo. Os
caboclos não são Orixás, mas espíritos encantados, originários das religiões indígenas, sem relação com a África. Esses candomblés de caboclo eram alvo do desprezo do povo-de-keto, zelosos de sua “pureza” africana porque, nessa época, havia um empenho por parte de influentes intelectuais comandados por Arthur Ramos e Edison Carneiro em firmar a idéia de que havia nos terreiros keto uma “pureza” com relação às raízes africanas.

O certo é que João foi um homem não só adiante de seu tempo como também dono de um projeto particular de ascensão social e religiosa, buscando a diferença como dado de divulgação de si mesmo e sua "roça": negro que alisava os cabelos por vaidade, sem se preocupar com a polêmica de poder ou não colocar ferro quente na cabeça de um iniciado; homem que não se envergonhava de ser
homossexual na homofóbica Bahia do início do século XX; pai-de-santo que afrontava os princípios de que homens não podiam “receber” o Orixá em público, tornando-se famoso pela sua dança; incorporava ao Candomblé a entidade indígena do Caboclo Pedra Preta; adepto de Angola, numa cidade dominada pela cultura jeje-nagô; babalorixá jovem, numa cultura dominada por ialorixás mais velhas o que, segundo seus filhos-de-santo, ativou o despeito das mães-de-santo tradicionais da Bahia.

Também sua ascensão precoce era mal-vista no mundo do
candomblé, onde a idade avançada é considerada um atributo importante para a escolha dos sacerdotes – e a própria Menininha do Gantois sofreu resistências por causa disso, quando assumiu a chefia do seu terreiro aos 26 anos de idade.

Lendas à parte, o caso é que as ialorixás mais tradicionais não sabiam como encarar as novidades trazidas por Joãozinho. Também não é verdade a afirmação de
Landes de que Joãozinho não era respeitado pelos seus "filhos", a quem na verdade tratava com mão de ferro: era muito autoritário e enérgico.

Seu primeiro
terreiro foi num bairro chamado Ladeira de Pedra, mas logo foi para o local que o tornou famoso, a ponto de incorporar o endereço ao próprio nome: Rua da Goméia. Lá, tocava indiferentemente angola e keto, o que contribuía – e muito – para aumentar o escândalo em torno de seu nome.

Irreverência

Em 1948, despediu-se de Salvador com uma festa no Teatro Jandaia, apresentando ao público pagante danças típicas do
Candomblé, escândalo final para adeptos baianos, e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde abriu casa na Rua General Rondon, nº 360, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.
Nesse endereço a lenda em torno de Joãozinho da Goméia só fez aumentar, atendia
políticos, embaixadores, consules, o próprio Getulio Vargas e a sogra de Juscelino Kubitschek, além de artistas como Ângela Maria, na época a “Rainha do Rádio”; tudo isso fez com que passasse a freqüentar a imprensa.

O próprio João nunca revelou os nomes de seus filhos ou clientes; seus filhos-de-santo que espalharam essas notícias, orgulhosos do status da casa de seu pai. Costas quentes ou não, o caso é que Joãozinho nunca teve seu
terreiro invadido pela polícia, nem jamais foi preso, ao contrário de Mãe Menininha, que tem registradas duas passagens pela polícia, acusada de “tocar candomblé”. Diz a lenda que Joãozinho até mesmo chegou a fazer despacho para Exu em plena Praça XV. O caso é que tornou-se o primeiro pai-de-santo realmente conhecido no Brasil. Sabia do poder da imprensa e manteve relações com publicações importantes como a revista O Cruzeiro, deixando-se fotografar com os trajes dos Orixás.

Em 1956, João participou do
carnaval vestido de mulher. O assunto rendeu uma polêmica terrível com outros babalorixás e chefes de terreiros da Umbanda. João defendeu-se através d’O Cruzeiro, reivindicando seu direito ao livre-arbítrio e declarando que jamais permitiria que qualquer outro pai ou mãe-de-santo se intrometesse em sua vida.
Participou de shows no
Cassino da Urca, apresentando as danças dos Orixás, sempre unanimemente considerado um bailarino de raras qualidades. Chegou a participar do filme "Copacabana moun amour", de Rogério Sganzerla, no papel de um pai-de-santo que faz um ebó na atriz Helena Ignez.

Teve numerosos filhos-de-santo: chegou a fazer um barco com 19 iaôs, façanha lembrada por todos, dada sua extrema dificuldade de realização. Apesar das brigas com as alas mais conservadoras da religião, eis porque Joãozinho da Goméia é considerado um dos maiores divulgadores da religião dos Orixás no Brasil.

Em 1966, outro momento repleto de contradições: João voltou à Bahia e deu “obrigação” com Mãe Menininha do Gantois. Segundo a Iyalorixá Mãe Tolokê de Logunedé, "foi fazer a obrigação dele; tirar a mão de Vumbi e fazer bodas de prata. (...) Depois, ele fez a festa no Rio de Janeiro, para os filhos que não puderam ir à Bahia." Ainda segundo seus filhos, Joãozinho da Goméia não apenas fez sua obrigação com Mãe Menininha como foi o primeiro homem que ela permitiu que vestisse o Orixá e dançasse em público “virado” no santo. Para entender a importância desse ato (mesmo que apenas mais um aspecto da lenda) é preciso ler em Ruth Landes as restrições que Mãe Menininha fazia quanto à apresentação pública de homens em transe.

Porém, é fato que, embora o próprio Joãozinho até o fim da vida continuasse tocando tanto angola quanto keto, a partir desse momento passou a insistir com seus filhos-de-santo para que seguissem uma orientação única, optando entre keto e angola.

Joãozinho da Goméia morreu em
São Paulo, dia 19 de março de 1971, no Hospital das Clínicas (Vila Clementino), durante uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral, e após uma parada cardíaca. Foi sepultado no cemitério de Duque de Caxias, num dia em que uma chuva de proporções míticas caiu sobre o Rio de Janeiro, exatamente na hora em que seu ataúde baixava à sepultura. Para os adeptos, uma manifestação de Iansã recebendo seu filho, que culminou com muita gente “virando no santo” em pleno cemitério, a passagem foi relatada na revista O Cruzeiro. A Goméia do Rio foi vendida para uma incorporadora, que no local construiu um prédio. Os assentamentos de Joãozinho da Goméia foram transferidos para uma nova Goméia, em Franco da Rocha, São Paulo, onde os ibás de seu Oxossi e de sua Iansã estão sendo devidamente cuidados e “alimentados”, e podem ser visitados pelos adeptos que fazem parte da familia-de-santo.










12 comentários:

  1. esse pai de santo foi muito querido realmente,pois até hoje o caboclo q rodava na cabeça dele lembra dele como se fosse ontem!!!!

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  2. Sabem dizer qual o endereço ou contato da Goméia de Franco da Rocha/SP??
    Grata
    Rose - perolanegravr@gmail.com

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  3. queria saber mais sobre esse doté...

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  4. tinha q ter oya na sua vida mesmo..para ser tão audaciosoo..heparrey oyaa parabens viu!

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  5. tentar ser como ele, um exemplo ser como ele jamais....saudades de um tempo de jamberessú em que se tinha amor verdadeiro pelo n´kises e respeito como ierarquia.

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  6. OI A TODOS E TODAS SÓ DE RECIFE-PE E DA NAÇÃO ANGOLA GOMÉIA SÓ FILHO DE BALEGINAN(MÃE NADJA DE ANGOLA)E NETO DE KARELECY(MÃE MERCIA DE OXUM AKARÉ)ESSA FOI QUEM TROUXE A NAÇÃO PARA PERNAMBUCO É A PERCUSSORA E MATRIARCA DA NAÇÃO.ESPERO CONTATOS COM TODOS PARA TROCARMOS IDEIAS E HISTORIAS DA NOSSAS ORIGENS UM CHEIRO...

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  7. onde andara minha amiga Sandra que ficou com o cargo da GOMÉIA

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  8. Joãozinho da gomeia um dos maiores babalorixas de todos os tempos o homem que marcou a nossa historia de afro descendente e seguidores do culto afro com a sua dança e o seu amor aos orixas levando o candomble a oya e seu caboclo jubiabá a serem reconhecidos mundialmente algo que para alguem fazer isso tem que ser um escolhido e abençoado pelos orixas como ele foi. que deus,olorum,obatalá e todos os orixas lhe dem o seu descanso e a sua gloria me sinto orgulhoso de pertencer ao culto aos orixas tendo como exemplo esse Grande babalorixa que os orixas lhe abençoe aonde estiveres.axe o povo de santo deve muito a você Joãozinho da Gomeia o Rei do candomblé.

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  9. Sabem dizer qual o endereço ou contato da Goméia de Franco da Rocha/SP??[2]

    isabelamoraistp@gmail.com

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  10. Tenho pena de sua alma! "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"! Ainda dá tempo de vcs abrirem os olhos! E não entendam como falta de respeito, pois admiro muito a cultura Afro, entendam apenas como ato de alguém que clama a Deus pela salvação de todos os povos, e a libertação dos mesmos das mãos do inimigo de nossas almas que tenta nos enganar de todo jeito. Não sigo religião nenhuma, apenas amo embora não mereço o único Salvador, o único Deus no qual um dia todo joelho se dobrará e toda lingua confessará que ele é o SENHOR, Deus abençoe vcs!!

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